A história da investigação espinhal começou em 1895 com a descoberta revolucionária dos raios-X por Wilhelm Roentgen. Antes disso, o diagnóstico de problemas na coluna dependia inteiramente do exame físico e da palpação. A radiografia simples permitiu, pela primeira vez, visualizar a arquitetura óssea, o alinhamento das vértebras e deformidades grosseiras como fraturas ou escoliose. No entanto, essa “era da radiologia” tinha uma limitação severa: os tecidos moles, como discos intervertebrais, medula e raízes nervosas, eram invisíveis, aparecendo apenas como sombras ou espaços vazios entre os ossos, o que dificultava o diagnóstico preciso de compressões nervosas.
Para superar a cegueira do Raio-X em relação aos tecidos moles, surgiu no início do século XX a Mielografia. A técnica, refinada na década de 1920, consistia em injetar um meio de contraste diretamente no canal espinhal (no espaço subaracnoideo) para “desenhar” a silhueta da medula e dos nervos. Inicialmente usava-se ar (pneumomielografia) e depois contrastes oleosos, que frequentemente causavam inflamações graves (aracnoidite). Apenas na década de 1970 surgiram os contrastes hidrossolúveis mais seguros. Durante décadas, este foi o exame de escolha para localizar hérnias de disco: o médico não via a hérnia em si, mas via a falha de enchimento ou a “mordida” que ela causava na coluna de contraste.
A terceira revolução chegou em 1972 com a invenção da Tomografia Computadorizada (TC) por Godfrey Hounsfield. A TC mudou o paradigma da imagem bidimensional para a visualização em cortes axiais (fatias transversais). Isso permitiu aos cirurgiões verem a anatomia da vértebra em detalhes tridimensionais, sendo fundamental para entender estenoses do canal e planejar a colocação de parafusos e implantes. A tomografia se tornou imbatível para avaliar a parte óssea, calcificações e fraturas complexas, aposentando a mielografia na maioria dos casos, embora ainda utilizasse radiação ionizante e tivesse menor definição para o conteúdo intradural.
O padrão-ouro atual foi estabelecido com a popularização da Ressonância Magnética (RM) nos anos 1980. Diferente de todos os anteriores, a RM não usa radiação, mas campos magnéticos e ondas de rádio para excitar os prótons de hidrogênio no corpo. Isso permitiu, pela primeira vez, visualizar a hidratação dos discos (classificando sua degeneração), o edema ósseo e, crucialmente, a própria medula espinhal com clareza anatômica. Hoje, a RM é o exame definitivo para diagnóstico de hérnias, tumores e infecções, permitindo ver não apenas a compressão, mas o sofrimento do nervo (mielopatia) antes mesmo de o cirurgião abrir o paciente.