• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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As Localizações Mais Comuns da Hérnia de Disco. JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

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As Localizações Mais Comuns da Hérnia de Disco: Biomecânica e Impacto Clínico

A hérnia de disco ocorre quando o núcleo pulposo — a porção gelatinosa interna do disco intervertebral — extravasa através de uma fissura no anel fibroso que o envolve. Essa extrusão não acontece de maneira aleatória ao longo da coluna; ela obedece a regras rígidas de biomecânica. Os discos atuam como amortecedores de impacto e pontos de pivô para o nosso movimento diário, o que significa que as regiões da coluna que suportam a maior carga mecânica e que possuem o maior arco de mobilidade são, inevitavelmente, as mais suscetíveis à degeneração precoce e à ruptura.

A coluna lombar é, de longe, o segmento mais acometido, respondendo por cerca de 90% a 95% de todos os diagnósticos clínicos. Dentro dessa região, os níveis L4-L5 e L5-S1 (os dois últimos discos na base da coluna) são os campeões absolutos de incidência. Essa predileção ocorre porque esses níveis suportam praticamente todo o peso do tronco e atuam como o principal fulcro de alavanca quando nos curvamos, sentamos ou levantamos peso. Quando ocorre a hérnia lombar, o material discal costuma comprimir as raízes que formam o nervo ciático, desencadeando a clássica lombociatalgia — uma dor aguda, muitas vezes descrita como choque ou queimação, que se irradia da lombar descendo pelos glúteos, perna e alcançando até o pé.

A coluna cervical ocupa a segunda posição nas estatísticas, sendo responsável por cerca de 5% a 8% das hérnias de disco. Assim como na lombar, o estresse mecânico constante dita a regra: a região inferior do pescoço suporta o peso da cabeça e realiza movimentos de rotação e flexão milhares de vezes ao dia, fazendo com que os níveis C5-C6 e C6-C7 sejam os mais frequentemente afetados. Quando a hérnia comprime as raízes nervosas cervicais, o paciente desenvolve a cervicobraquialgia. Esse quadro é marcado por dores intensas no pescoço que se irradiam para os ombros, braços e mãos, frequentemente acompanhadas de formigamento, dormência e até perda de força muscular nos dedos.

Por fim, a coluna torácica abriga uma parcela ínfima dos casos, representando apenas 1% a 2% das hérnias de disco sintomáticas. Essa raridade anatômica se deve à forte estabilidade estrutural proporcionada pelo arcabouço da caixa torácica e pelas costelas, que limitam drasticamente a torção e a flexão dessa região. No entanto, quando uma hérnia ocorre neste segmento (geralmente nos níveis inferiores, entre T8 e T11), ela exige extrema cautela. O canal vertebral torácico é anatomicamente mais estreito e a medula espinhal nessa área é bastante sensível; portanto, uma compressão discal torácica pode evoluir rapidamente para uma mielopatia grave, com risco de fraqueza severa nas pernas e disfunção do controle da urina e das fezes.