O cisto de Tarlov, também chamado de cisto perineural, é uma dilatação da bainha da raiz nervosa preenchida por líquido cefalorraquidiano. É mais comum na região sacral e, na grande maioria das vezes, é descoberto por acaso em exames de ressonância magnética feitos por outros motivos. Apenas uma minoria desses cistos causa sintomas; a maior parte permanece estável e não precisa de qualquer intervenção.
Quando o cisto é sintomático, os sintomas costumam incluir dor na região sacral, nas nádegas ou na pelve, que piora ao sentar, tossir ou fazer esforço, além de formigamento, queimação ou fraqueza nas pernas. Em casos mais importantes, pode haver disfunção urinária, intestinal ou sexual, por compressão das raízes sacrais (principalmente S2 a S4). A correlação entre o tamanho do cisto e a intensidade dos sintomas nem sempre é direta; o diagnóstico depende da associação clínica com o achado de imagem.
O tratamento inicial dos cistos sintomáticos é conservador: analgésicos, medicamentos para dor neuropática, fisioterapia e, em alguns casos, bloqueios ou aspiração percutânea guiada por tomografia (às vezes com injeção de cola de fibrina). A cirurgia é reservada para casos refratários ao tratamento clínico, com déficit neurológico progressivo ou disfunção esfincteriana clara, e consiste geralmente em fenestração ou imbricação do cisto com proteção da raiz nervosa. Os resultados são variáveis e existe risco de recidiva e fístula liquórica.
Como a maioria dos cistos de Tarlov é assintomática, a conduta de observação com acompanhamento clínico e de imagem é a mais adequada na maior parte dos casos. A decisão de intervir deve ser individualizada e baseada na correlação entre os sintomas e o cisto, preferencialmente em centros com experiência nesse tipo de lesão, para evitar tratamentos desnecessários.