A coluna cervical inflamada (cervicalgia inflamatória ou inflamação na região do pescoço) refere-se a um processo inflamatório que afeta músculos, ligamentos, articulações facetárias, discos intervertebrais ou raízes nervosas da cervical. As causas mais comuns incluem artrose facetária (desgaste das pequenas articulações), hérnia de disco cervical com inflamação radicular, espondilite (inflamação das vértebras), tendinite ou miosite muscular (por overuse, má postura ou trauma), artrite reumatoide, espondiloartrites (como espondilite anquilosante) ou infecções (discite, abscesso epidural). A inflamação gera dor local intensa, rigidez e, frequentemente, irradiação para ombros, braços ou cabeça. Diferente de dores mecânicas simples, a inflamação costuma piorar com repouso prolongado e melhorar parcialmente com movimento leve, acompanhada de sensação de calor local ou inchaço sutil.
Os sintomas principais da coluna cervical inflamada incluem dor intensa no pescoço (cervicalgia), que pode ser constante ou em queimação, piorando ao virar a cabeça, inclinar ou olhar para cima/baixo. Há rigidez matinal pronunciada (dificuldade para mexer o pescoço ao acordar, que melhora ao longo do dia), dor que irradia para ombros, trapézio, braços ou mãos (quando há compressão radicular, como em radiculopatia C5-C7), formigamento, dormência ou fraqueza nos membros superiores. Outros sinais comuns são cefaleia tensional ou dor occipital (irradiando para a nuca e parte de trás da cabeça), sensação de peso ou “aperto” no pescoço, fadiga muscular e, em casos graves, limitação grave de movimento (o paciente mal consegue virar a cabeça). Quando a inflamação é sistêmica (artrite reumatoide ou espondilite), pode haver febre baixa, perda de peso ou rigidez em outras articulações.
Sintomas de alerta que exigem avaliação urgente incluem dor cervical explosiva associada a febre alta, calafrios, perda de força progressiva nos braços ou pernas, dificuldade para urinar/defecar (síndrome da cauda equina ou mielopatia compressiva), visão dupla, tontura intensa ou queda súbita — sinais de infecção profunda (discite/abscesso), compressão medular grave ou instabilidade. Em idosos ou imunossuprimidos, a inflamação infecciosa pode evoluir rapidamente para sepse ou compressão neurológica irreversível.
O diagnóstico precoce é feito por exame clínico detalhado (testes de compressão radicular, amplitude de movimento), seguido de RM cervical (padrão-ouro para ver inflamação, edema medular, hérnia ou abscesso), raios-X dinâmicos (para instabilidade) e exames laboratoriais (VHS, PCR, hemograma, fator reumatoide, HLA-B27 em suspeita de espondiloartrite). O tratamento inicial é conservador: anti-inflamatórios (AINEs ou corticoides em dose baixa), relaxantes musculares, fisioterapia específica, bloqueios facetários ou epidurais quando necessário, e controle da doença de base (ex.: biológicos na artrite reumatoide). Como neurocirurgião, vejo que ignorar a inflamação cervical crônica pode levar a mielopatia compressiva ou radiculopatia permanente — se a dor no pescoço for intensa, persistente ou acompanhada de formigamento/fraqueza, procure um neurologista ou neurocirurgião imediatamente.