O Osteófito, popularmente conhecido no Brasil como “Bico de Papagaio”, não é uma doença em si, mas sim uma manifestação radiológica de um processo natural de envelhecimento da coluna vertebral chamado espondilose (ou artrose da coluna). O termo popular surgiu devido à aparência curiosa dessas formações ósseas nas radiografias laterais: gancho curvo que se assemelha ao bico da ave. Biologicamente, trata-se de um crescimento ósseo excessivo (calcificação) que se forma nas bordas das vértebras. É fundamental que o paciente entenda que encontrar um “bico de papagaio” em um exame não é uma sentença de dor eterna; muitas vezes, é apenas um sinal de que a coluna “viveu” e trabalhou bastante.
A formação do osteófito é, na verdade, um mecanismo de defesa do organismo. Quando os discos intervertebrais (os “amortecedores” entre as vértebras) começam a se desidratar e desgastar com a idade, a coluna perde altura e estabilidade, começando a ter micro-movimentos anormais. Para tentar corrigir essa instabilidade e impedir que as vértebras se movam excessivamente, o corpo deposita cálcio nas margens, criando essas pontes ósseas na tentativa de “fundir” ou estabilizar a articulação. Portanto, o bico de papagaio é a tentativa do esqueleto de se autocurar e recuperar a firmeza perdida pelo desgaste do disco.
O grande mito sobre os osteófitos é que eles doem por si só. Na maioria esmagadora dos casos, o osteófito é assintomático e descoberto por acaso. A dor e os problemas neurológicos só aparecem quando esse crescimento ósseo ocorre na direção “errada”: para dentro do canal vertebral ou para dentro dos forames (os buracos por onde saem os nervos). Se o bico de papagaio comprimir uma raiz nervosa, o paciente pode sentir dor irradiada (como a ciática), formigamento ou perda de força. Se crescer para frente ou para os lados (longe dos nervos), ele raramente causa sintomas além de uma leve rigidez.
O tratamento, portanto, raramente visa “remover” o bico de papagaio, a menos que haja compressão nervosa grave. Na neurocirurgia, focamos em tratar a consequência clínica (a dor ou a instabilidade), e não a imagem do exame. O tratamento inicial é quase sempre conservador, com fisioterapia para fortalecimento da musculatura (que assume o papel de estabilizar a coluna, tirando a sobrecarga do osso), controle de peso e correção postural. A cirurgia só é indicada quando o osteófito está pinçando um nervo de forma crítica, causando déficit neurológico ou dor intratável, sendo necessário descomprimir a estrutura nervosa afetada.