• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Fibromialgia: O Que É, Primeiros Sintomas, Causas e Abordagem Terapêutica. Julio Pereira Neurocirurgião

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A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica e não inflamatória, caracterizada por uma percepção amplificada e generalizada da dor no sistema musculoesquelético. Diferente de doenças reumatológicas clássicas que afetam diretamente as articulações e causam inchaço ou deformidades, a fibromialgia é essencialmente um distúrbio na forma como o sistema nervoso central processa os estímulos sensoriais. Ocorre um fenômeno neurológico conhecido como sensibilização central, em que o cérebro e a medula espinhal passam a reagir de maneira exagerada, interpretando como dor intensa estímulos que, em condições normais, seriam inofensivos. Essa disfunção neuroquímica afeta majoritariamente mulheres entre 30 e 50 anos, tornando-se uma condição debilitante se não for adequadamente manejada.

Os primeiros sintomas da fibromialgia costumam surgir de forma insidiosa, sendo a dor difusa e migratória pelo corpo a queixa inicial mais marcante. Os pacientes frequentemente relatam uma sensação de “peso”, “queimação” ou “dor nos ossos e na carne”, afetando os dois lados do corpo, bem como a parte superior e inferior. Junto a essa dor disseminada, o quadro inicial é quase sempre acompanhado por uma fadiga crônica profunda e distúrbios severos do sono — o chamado sono não reparador, em que a pessoa já acorda exausta, independentemente de quantas horas tenha dormido. Além disso, é comum o aparecimento precoce de alterações cognitivas, frequentemente descritas pelos pacientes como “fibro fog” (névoa mental), que se manifestam como dificuldades de concentração, lentidão de raciocínio e falhas na memória recente.

Embora a causa exata da fibromialgia ainda não seja completamente desvendada, a ciência aponta para uma origem multifatorial, envolvendo uma complexa interação entre predisposição genética e gatilhos ambientais. Sabe-se que a síndrome frequentemente é despertada após eventos que submetem o corpo ou a mente a um estresse extremo, como traumas físicos (um acidente automobilístico, por exemplo), traumas psicológicos intensos, cirurgias de grande porte ou infecções severas. Em indivíduos geneticamente vulneráveis, esses gatilhos provocam um desequilíbrio persistente nos neurotransmissores que regulam as vias de inibição e excitação da dor — como a diminuição da serotonina e o aumento da substância P —, consolidando o estado de dor contínua.

Como se trata de uma síndrome crônica sem cura definitiva, o tratamento da fibromialgia não foca na eliminação da doença, mas sim no controle rigoroso dos sintomas e na recuperação da qualidade de vida por meio de uma abordagem multidisciplinar. A base do tratamento, surpreendentemente para muitos pacientes, não é medicamentosa: a prática regular e progressiva de exercícios físicos aeróbicos é a intervenção com maior nível de evidência para a melhora da dor, atuando como uma analgesia natural, associada à higiene do sono e à psicoterapia (como a terapia cognitivo-comportamental). No arsenal farmacológico, analgésicos simples e anti-inflamatórios costumam ser ineficazes; o tratamento exige o uso de neuromoduladores (como a pregabalina) e antidepressivos específicos (como a duloxetina e a amitriptilina), que agem diretamente no sistema nervoso central para recalibrar a percepção da dor e melhorar a qualidade do sono.