A hérnia de disco torácica é uma condição clínica relativamente rara, representando uma pequena fração (cerca de 1% a 4%) de todas as hérnias discais sintomáticas, principalmente devido à estabilidade natural proporcionada pela caixa torácica e ligamentos que limitam a mobilidade deste segmento. A patologia ocorre quando o núcleo pulposo se desloca através de uma ruptura no anel fibroso, podendo comprimir a medula espinhal ou as raízes nervosas. A etiologia é frequentemente associada à doença degenerativa discal, embora traumas axiais, movimentos rotacionais súbitos e predisposição genética também desempenhem papéis relevantes na sua fisiopatologia, afetando mais comumente os níveis inferiores (T8 a T12).
O quadro clínico é notoriamente desafiador e muitas vezes insidioso, variando desde dores axiais inespecíficas até síndromes mielopáticas graves. O sintoma mais frequente é a dorsalgia, que pode evoluir para dor radicular em “cinturão”, irradiando para o tórax ou abdômen, o que frequentemente leva a diagnósticos diferenciais errôneos com patologias cardíacas, pulmonares ou gastrointestinais. Quando há compressão medular significativa, o paciente pode apresentar sinais de mielopatia, como fraqueza progressiva nos membros inferiores (paraparesia), alterações de sensibilidade, hiperreflexia e, em estágios avançados, disfunção esfincteriana, constituindo uma urgência neurocirúrgica.
O diagnóstico definitivo depende fundamentalmente de exames de neuroimagem, sendo a Ressonância Magnética (RM) o padrão-ouro. A RM permite a visualização detalhada da relação entre o disco herniado, o saco dural e a medula, além de identificar se a hérnia é mole, calcificada (comum na região torácica) ou intradural. A Tomografia Computadorizada (TC) é complementar, sendo particularmente útil para avaliar a presença de calcificações discais, um fator crítico para o planejamento cirúrgico. O diagnóstico diferencial deve ser minucioso, excluindo tumores, infecções e outras causas de dor torácica visceral.
O tratamento inicial é predominantemente conservador, focando no controle da dor com medicamentos, repouso relativo e reabilitação fisioterápica, obtendo sucesso na maioria dos casos sem déficit neurológico. A intervenção cirúrgica é reservada para pacientes com falha no tratamento conservador, dor intratável ou deterioração neurológica progressiva (mielopatia). As abordagens cirúrgicas variam desde a laminectomia descompressiva até técnicas mais complexas como a toracotomia ou acessos minimamente invasivos (como a cirurgia endoscópica da coluna), sendo a escolha da técnica dependente da localização da hérnia (central ou lateral), da consistência do disco (calcificado ou não) e da experiência do cirurgião.