• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Lesões na Medula Espinhal: Entenda Como a Medula Espinhal Funciona. Dr. Julio Pereira – Neurocirurgião São Paulo – Neurocirurgião Beneficência Portuguesa

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Lesões na Medula Espinhal: Entenda Como a Medula Espinhal Funciona

A medula espinhal é uma estrutura fundamental do sistema nervoso central, localizada no interior da coluna vertebral e protegida pelas vértebras, meninges e líquido cerebrospinal. Ela se estende desde a base do cérebro (bulbo raquidiano) até aproximadamente a segunda vértebra lombar, onde forma o cone medular, e abaixo disso as raízes nervosas continuam formando a chamada cauda equina. A medula é organizada em cinco segmentos principais (cervical, torácico, lombar, sacral e coccígeo), sendo que cada segmento controla funções específicas e emite pares de nervos espinais que saem do canal vertebral através dos forames intervertebrais, totalizando 31 pares de nervos que se comunicam com diferentes partes do corpo.

A principal função da medula espinhal é atuar como via de comunicação bidirecional entre o encéfalo e os órgãos do corpo, conduzindo impulsos nervosos motores e sensoriais. Quando o cérebro envia comandos para que um músculo contraia, a mensagem desce pela medula espinhal até chegar ao músculo específico através dos nervos espinais, permitindo movimentos voluntários. Na direção oposta, informações sensoriais captadas pela pele, músculos e órgãos sobem pela medula até o cérebro, onde são processadas e interpretadas, possibilitando que percebamos dor, temperatura, toque e posição do corpo no espaço. Além disso, a medula espinhal é responsável pelos atos reflexos, que são respostas rápidas e involuntárias que não dependem do cérebro, como retirar rapidamente a mão de um objeto quente, visando proteção imediata do corpo.

Estruturalmente, a medula espinhal apresenta duas regiões distintas: a substância cinzenta, localizada internamente em forma de “H” ou borboleta, que contém os corpos dos neurônios e está relacionada aos reflexos e processamento local, e a substância branca, que circunda externamente a cinzenta e contém feixes de axônios (tratos ascendentes e descendentes) responsáveis pela transmissão de informações. A medula possui um canal central remanescente do tubo neural, por onde circula o líquido cefalorraquidiano (ou cerebrospinal), que garante nutrição ao sistema nervoso central e remoção de resíduos metabólicos. As raízes nervosas dividem-se em dorsais (que conduzem sinais sensoriais para a medula) e ventrais (que enviam comandos motores para os músculos), formando os nervos espinais ao se unirem.

As lesões na medula espinhal são emergências médicas que necessitam tratamento imediato para reduzir possíveis efeitos permanentes, podendo causar complicações graves como paralisia, perda de sensibilidade, disfunções urinárias e intestinais, problemas respiratórios (quando afetam segmentos cervicais altos) e alterações na regulação da pressão arterial. A gravidade das sequelas depende do nível e da extensão da lesão: lesões cervicais podem causar tetraplegia (paralisia dos quatro membros), enquanto lesões torácicas ou lombares geralmente resultam em paraplegia (paralisia dos membros inferiores). Doenças que afetam a medula incluem mielite (inflamação da medula), esclerose múltipla (que afeta a mielina dos neurônios), traumatismos por acidentes, tumores medulares e compressões por hérnias de disco, sendo essencial a proteção da coluna vertebral para preservar essa estrutura vital do sistema nervoso.