O Ministério da Saúde, em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabeleceu prioridade absoluta para o estudo clínico de um medicamento desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) destinado ao tratamento de lesões medulares. O medicamento, conhecido como polilaminina, é uma proteína derivada da placenta humana que tem demonstrado potencial para regenerar as células nervosas da medula espinhal e restaurar parcialmente ou totalmente os movimentos em pacientes com lesão medular, um avanço significativo diante da pouca disponibilidade de tratamentos eficazes para essa condição debilitante. A pesquisa conta com resultados promissores obtidos em estudos experimentais e pacientes que receberam a substância em estágios iniciais da lesão.
O tratamento com polilaminina funciona por meio da formação de uma malha proteica que orienta os neurônios da medula para se reconectarem, facilitando a comunicação entre as células e a recuperação motora. Pacientes que sofreram acidentes graves, como traumas por colisões automobilísticas e ferimentos por armas de fogo, já apresentaram recuperação significativa depois da aplicação do medicamento combinada com um protocolo rigoroso de fisioterapia. Casos exemplares mostram pacientes que, mesmo após terem sido diagnosticados com lesão medular completa — quando geralmente a expectativa de recuperação é baixa —, evoluíram para lesões incompletas com controle motor, revelando uma reversão parcial da paralisação.
Agora, com a prioridade dada pelo Ministério da Saúde e Anvisa, o próximo passo é a realização de estudos clínicos regulatórios ampliados para comprovar a eficácia e segurança do medicamento em um número maior de pacientes, o que é fundamental para a aprovação definitiva para uso clínico em hospitais brasileiros. A expectativa é que, após a aprovação, a polilaminina integre os protocolos médicos para o tratamento de lesões medulares, trazendo esperança para milhares de pessoas que atualmente vivem com sequelas graves dessa condição. A novidade representa um marco importante no cenário da neurociência e da medicina regenerativa no Brasil.
Este avanço destaca a capacidade da pesquisa científica nacional, em parceria com o setor farmacêutico, de desenvolver soluções inovadoras que atendam demandas reais de saúde pública, contribuindo para a melhora da qualidade de vida dos pacientes e para o fortalecimento do sistema de saúde. A continuidade do estudo e a liberação da Anvisa são aguardadas com otimismo pela comunidade médica e pelos pacientes, marcando um potencial novo capítulo na reabilitação das lesões medulares no país.