A polilaminina, proteína polimerizada derivada da laminina e pesquisada há mais de 20 anos na UFRJ, mostra resultados encorajadores em modelos animais de lesão medular completa, promovendo regeneração axonal e redução inflamatória em ratos. No entanto, ciência não é para ter torcida! Transferir achados pré-clínicos diretamente para humanos ignora a enorme taxa de fracasso (~90%) na tradução de banco para leito, especialmente em neurotraumas onde barreiras como cicatriz glial persistem.
Resultados Humanos Preliminares São Fracos e Questionáveis
O piloto com oito pacientes agudos (pré-print 2024) relata recuperação motora parcial em sobreviventes, mas sem randomização, sem controle duplo-cego – recuperações podem refletir fisioterapia intensiva ou evolução espontânea (~15%). Fase 1 Anvisa (2026) limita-se a segurança em cinco casos; eficácia permanece não testada. Dois óbitos no piloto e três recentes reforçam mortalidade basal alta (~40%), não atribuída à droga mas alarmante sem validação.
Judicialização Precipita Riscos, Não Avanços
Precisamos respeitar as etapas! Liminares judiciais para acesso compassivo sobrecarregam SUS, expõem pacientes a experimentos sem benefício comprovado e atrasam ensaios fase II/III regulados. Neurocirurgiões veem diariamente como euforia midiática gera falsas esperanças, desviando de reabilitação padrão (eletroestimulação, exoesqueletos) que oferece ganhos reais hoje.
Priorize Evidência Sobre Emoção
Como neurocirurgião em São Paulo, afirmo: lesão medular exige abordagem multiprofissional ética. Polilaminina pode chegar lá, mas torcida atrasa ciência. Aguarde replicação internacional, fase III randomizada e aprovação regulatória plena. Pacientes merecem fatos, não promessas. Respeitem as etapas – é assim que curamos de verdade.